Faz muito tempo que não venho aqui. Por onde começar?
Logo que pensei na idéia de ter um blog, comentei com uma tia - fã das histórias loucas da minha vida - e a primeira coisa que ela falou foi: "Ah, fala das suas viagens!".
Pois bem, talvez tenha chegado a hora.
Desde pequena sempre gostei de estudar inglês, mais tarde o colégio me obrigava a aprender francês e, quando achei que cabia, me meti a besta no espanhol.
Talvez nem seja de todo a língua, mas as culturas diferentes, os trejeitos, os costumes, o modo mesmo de ver as coisas, é o que me fascina. E, se a comunicação funciona, fica fácil mergulhar mais fundo nesses mundinhos novos.
Por motivos diversos, até hoje, sempre estive sozinha nas minhas viagens mais incríveis. Talvez, por isso, acreditasse que nessa condição a gente está mais aberto a conhecer gente, a se virar e acaba achando graça em coisas que passariam batidas se estivéssemos num grupinho.
Pois é. Sim e não.
Acabo de voltar de um dos períodos mais intensos - se não o mais intenso - de viagens, descobrimento de lugares, pessoas, novos costumes, enfim, toda aquela riqueza que a gente carrega no coração e só consegue mostrar por fotos.
Acompanhada.
Difícil descrever a dor e a delícia de se ter alguém no seu pé o tempo todo. Mas minha impressão é que não teria sido metade se eu estivesse sozinha. Preciso admitir.
Fui negociar com os executivos em Harvard, acabei arrastada para restaurantes de lagostas e corridas no frio, mas também levei os novos amigos cinquentões pra night. Afinal, alguém tinha que dar o exemplo!
Voltei a Las Vegas com a família paulistana, arriscamos Mustang conversível (comigo dirigindo!), Rota 66 e toda essa coisa velho oeste para chegar até o Grand Canyon. Rentabilizei dólares de várias pessoas com minha sorte no jogo! Fui a outlets sem poder gastar e não dormi para não ter que acordar. Quem tem tantas idéias geniais sozinha?
Falando em idéias geniais, Europa em família parece um bom jeito de fechar essa aventura.
Um amigo que encontrei em Paris nesse período me perguntou como estava sendo o passeio e, ao ver minha resposta hesitada, completou: "Amor e ódio, né"? Ri, mas não deixa de ser uma perspectiva.
Já ouvi que uma ótima maneira de conhecer uma pessoa é viajar com ela, tirá-la da sua zona de conforto. Para mim isso não se aplica, fico super confortável viajando. Em Paris, por exemplo, sou a pessoa mais confortável do universo. :)
Mas, não posso negar que fazer isso com as pessoas que você melhor conhece e mais ama no mundo, é um marco na vida.
Realmente, acabei não conhecendo ninguém novo, nem me meti em nenhuma roubada máxima, não tenho "música da viagem" porque, literalmente, ninguém calava a boca um minuto. A grande novidade foi que, pela primeira vez, isso não fez a menor falta.
Sozinha? Não mais. (mas não disse jamais)