quinta-feira, 11 de julho de 2013

A maçaneta e o circo


Paguei feliz R$ 601,14 na minha passagem de ponte aérea ida-e-volta no último fim de semana. Digo feliz porque, a tendo comprado com apenas duas semanas de antecedência e sendo feriado em São Paulo no dia 09 de julho, esse valor foi um achado.

Para desfrutar da minha compra, tive que sair do escritório na sexta com 2h40 de antecedência ao horário do vôo. Apenas 7,2 km me separam do aeroporto de Congonhas, mas demoro, no mínimo, 40 min no trânsito às sextas-feiras. A outra hora fica por conta de bizarrices como encontrar o portão verdadeiro do seu vôo.

As companhias aéreas não são tão preocupadas com nosso horário como nós somos com o que compramos então, como esperado, meu vôo atrasou. Mas foi pouco. Fiquei feliz, de novo.

Cheguei no Rio e, por não ter despachado mala (as esteiras levam horas para entregar a bagagem), rapidamente estava na fila dos taxis onde a máfia impera. Apenas 5 km separam o aeroporto Santos Dumont da minha casa e, no entanto, já levei mais tempo esperando o taxi e enfrentando o trânsito do que dentro do avião. Dessa vez cheguei a tempo de jantar. Mais um motivo de felicidade.

Na volta, cheguei às 6h15 no SDU já com check-in feito para o vôo das 7h10. Sem surpresas, encontrei uma fila que dava voltas no segundo andar do aeroporto e só não descia as escadas porque são rolantes.
Milagrosamente, portas fechadas dentro do horário previsto. Sem névoa. Com teto. Tudo lindo. Chegaria a tempo do café da manhã em São Paulo. Muito feliz!

A maçaneta estragou tudo. Após duas horas sentada dentro do avião e me tendo sido servido apenas um copo d'água, o piloto nos informa que, infelizmente, não foi possível consertar a maçaneta. Troca de avião, espera para decolar, blá blá. Horário de chegada em São Paulo: 10h.
Fila de taxi? Essa é impossível. Corro para o embarque e me enfio no carro do primeiro passageiro que desce: "Itaim, moço, por dentro de Moema porque a Bandeirantes não anda, aquela obra perto do Parque não acaba e eu estou duas horas atrasada, por favor. Obrigada."

Chego no trabalho, finalmente. Vou ter que ficar até tarde para compensar. Dou uma passada, mais rápida do que gostaria, nas notícias do dia e vejo: helicópteros de Cabral, avião da FAB, Renan resolveu pagar, Copom revê taxa de juros porque inflação não baixa... Acabou a alegria.

Pago todas as minhas passagens com meu suado dinheirinho, às vezes, parcelando em mil vezes. Ainda arco com taxas de embarque em aeroportos falidos, onde a decolagem e o pouso leva à reza até o mais ateu dos ateus. Adicionalmente, pago taxis carríssimos para chegar aos aeroportos porque o sistema de transporte público inexiste. Perco 16% do meu fim de semana tentando chegar e sair e, como tenho que trabalhar todos os dias para não ser descontada e poder pagar tudo isso, preciso ter a sorte do meu chefe acreditar quando digo que embarquei às 6h30h mas só cheguei às 11h.

Enquanto isso, a babá dos filhos do Sérgio Cabral deve estar usando o helicóptero para ir de Angra ao Rio fazer compras para a madame. Ele usa o helicóptero para ir do Leblon a Laranjeiras todo dia. De carro chegava mais rápido, o palhaço. Mesmo com a gasolina custando mais de R$ 3/litro. No país da Petrobrás. Coletivo de palhaço é circo? Deve ser.

Para completar, Renan e vários palhacitos, trabalham quando querem. Mas isso é velho. Notícia nova aqui é que eu pago o avião dele. E mais, ele acha que é minha obrigação. Pensa só, pago o meu, porque não o dele? Que sai na hora, que leva quem ele quiser, onde quiser.

Autoridade? Político é servidor público. Sou filha de um muito honrado, que neste mesmo fim de semana que comento, sofreu um acidente mas, assim que chegou do hospital, ligou para a assistente para avisar que o médico tinha mandado ele ficar em observação por 12 horas e não era para deixar os pacientes esperando.

Papai precisava dar aulas.