segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Viagem

A primeira vez que falei com a tia Gueca sobre minha idéia de ter esse blog, ela disse: "Escreve sobre suas viagens!". Pois bem, segui esse conselho algumas vezes, mas ele nunca fez tanto sentido quanto hoje, então aqui vai uma história incrível...

Com certeza começou muito antes, mas a primeira "viagem" que me lembro de ter feito com o tio André foi de trenzinho do Cosme Velho até o Cristo. Viagem curta mas, no auge dos meus 5 aninhos, uma aventura e tanto! Marcou.

Se vou um pouco mais para frente, me lembro da felicidade que eram os dias em São Paulo quando íamos passear na casa da vovó. Tio André era motorista para o Playcenter, Simba Safari, drive thru de guloseimas, coçador suplente (principalmente depois que o Bê nasceu e tia Gueca me abandonou!), comedor de bis e catador dos brinquedos do baú que íamos deixando pelo corredor - "para ninguém cair".

Maiorzinha, foi em uma viagem de verão que peguei com ele a carona mais perigosa da minha vida: uma reta entre a casa de Atafona e uma pousada no sentido de Grussaí! Papai e tio André tinham descoberto a Kovak Ice durante o Carnaval e perderam a linha "com o suquinho de limão" nos churrascos que duravam a tarde toda. Só Deus sabe como percorremos aqueles 500m para voltar do baile. Acho que foi nesse ano, também, que tomei meu primeiro, e único, tombo de moto. Dessa viagem ele não participou ativamente, mas patrocinou, ou quem você acha que emprestou a moto?! :)

As viagens para Cordeiro! Não interessava se éramos 2, 5 ou 23 pessoas (vivi esse momento) hospedadas na sua casa, sempre havia espaço para mais um. Isso era o mais incrível de se viajar com o tio André. O carro aguentava quantas pessoas fossem, os colchões a gente dava um jeito e o pãozinho com manteiga, presunto e o café se multiplicavam.
Assim, passei minha adolescência literalmente virando os móveis da casa amarela de pernas para o ar para caber mais gente. Com a tia Gueca surda (rs, desculpa tia, mas é verdade), quem abria a porta na madruga era ele, sempre ele. Se o motivo de chegar depois era alguém que ele não gostava, puxava a orelha. Se fosse o álcool, ria da sua cara, mas não dedurava! Jamais!

Com a distância, nossas aventuras se tornaram mais raras mas, nem por isso, menos incríveis. Os churrascos em Cordeiro passaram a ser ainda mais longos e a piscina passou a ficar vazia mais rápido. Afinal, os mergulhos dos gordinhos Zé e André foram ficando mais potentes!

Natal passou a ser um destino querido e desejado. Fosse para matar saudades, para curar um pé na bunda em pleno Carnaval, para tirar férias quando não se tinha $$ para pagar hotel ou simplesmente para pular a folia juntos nos lugares maravilhosos que ele, como bom explorador, ia mostrando para a gente. Foi o que fizemos este ano e lá estava o tio André, no aeroporto, me esperando, como sempre! 
"E aí, Luquitaaaa, que saudades! Sua tia está louca que você veio." Com aquele sotaque paulista que agora me é tão familiar, mas que, curiosamente, me remetia a ele, com carinho, desde sempre.

Neste momento estou longe, viajando, e ele também.  Mas tenho certeza que ainda vamos fazer muita bagunça juntos, comendo as melhores lasanhas da vida.

Hoje, em homenagem a uma das pessoas mais simples e com maior coração que tive o prazer de conhecer, coube a mim ir para a cozinha, fazer uma macarronada, sentar com a mesa posta como ele gostava e bater papo. Minha culinária, diferente da dele, é medíocre, mas acalmou a já enorme saudade e deixou gostinho de quero mais.

Tio, vai em paz, a gente se vê! :)