terça-feira, 9 de setembro de 2014

As Irmãs

Sempre falei que queria ter um irmão. Mas acho que é mentira.

A verdade é que adoro o caos de uma casa dominada por meninas.

Uma das maiores mudanças decorrentes de morar sozinha foi não ter mais que dividir nada com minhas irmãs. E, para quem dividiu quarto, banheiro, TV, computador, guloseimas e até castigos por 25 anos, ter tudo só para si, assim de repente, não é fácil de acostumar.

Sua vida perde o charme de diálogos aos berros:
- Porra, você trancou a porta?
- Óbvio!
- Agora como eu escovo os dentes?
- Com a escova! hahahaha

Seu poder de negociação fica prejudicado:
- Me empresta seu vestido vermelho?
- Não, ele é novo.
- Mas você estreou a minha sandália ouro velho da Andarella em 2003 na formatura do colégio.
- Claro que não, nem lembro disso.
- Foi quando você tomou aquele porre e perdeu o casaquinho da Vivian.
- Ah é, mas deixa quieto isso. Cuidado com o vestido e você lava a louça hoje.

As suas manhãs são menos emocionantes quando você chega em casa na hora que quiser e ninguém te alerta: "mamãe vai te matar..."

Irmãs são bichinhos esquisitos, você passa as primeiras décadas de vida tentando se livrar delas, e assim que consegue, seu grande objetivo é trazê-las de volta. Vai entender...

Ei, venham me visitar!




sábado, 23 de agosto de 2014

As Pontes

Lugares queridos são como amigos do peito.

A vida tira a gente de perto e conhecemos outros lugares. Às vezes, até fixamos novas raízes bem longe...Mas quando o coração aperta, sempre sabemos com quem gostaríamos de estar.

Em todos os meus lugares preferidos neste mundo, tenho pontes como referência.
Rio, estamos chegando em casa; Cordeiro, chegamos na casa da vovó; Paris, estou no paraíso; São Paulo, um lado da marginal conheço o outro não. Gosto da analogia de que são conexões com minhas experiências e com o que vou deixando para trás.

Aliás, é costumeiro usar a expressão "deixando para trás" com uma conotação negativa, e eu não poderia discordar mais. É impossível carregar com a gente toda a bagagem e, ainda assim, seguir em frente. Gostaria de poder dizer que viajo leve, mas é mentira. Cada vez pareço carregar mais dos lugares que conheço e é gostoso voltar de tempos em tempos para pegar o que deixei para trás.

Foi assim essa semana, quando visitei San Francisco pela primeira vez depois da temporada aqui no ano passado. Uma semana parecia tempo suficiente para fazer tudo. Mas que nada! Como deixei coisas para trás: amigos queridos, lugares a visitar, restaurantes preferidos, novidades para contar. É muito bom deixar para trás porque, como diz a minha mãe, a gente sempre tem um motivo para voltar.

E essa ponte? Ah, essa ainda vai ter história para contar...




domingo, 15 de junho de 2014

Crazy Times


A julgar pelos 7 meses e 9 dias que separam este post do anterior, poderia se chegar a conclusão de que pouco aconteceu. Grande engano.

Em 6 de novembro de 2013, eu estava morando em San Francisco, tendo uma das experiências mais incríveis da minha vida e, sem querer, quase me perdi em tudo que acontecia do lado de fora da minha cabeça. Mas consegui parar e fazer o que me propus no primeiro post deste blog. Hoje, para alegria do meu pai, tento de novo... estou quase desaprendendo.

Já voltei para o Brasil, decorei o CEP e mobiliei o apê novo, comecei e terminei tanta coisa, que fica difícil contar. Fico devendo.

Falando em devendo, falta uma análise mais madura de São Paulo aqui no blog, afinal, sou veterana. Ganhei da selva de pedra e ela também me ganhou.

Por ora, ceteris paribus, me limito a comentar algumas características incríveis de se estabelecer por aqui:

Você aprende as reais vantagens de se morar no último andar.
Chega rápido na piscina, desce rápido para sua própria geladeira. Se acostuma a ver o pôr-do-sol da rede, que por aqui é raridade, se apaixona não pelo céu estrelado, mas pelos guindastes coloridos à noite e se pega torcendo para que a obra de mais um aranha-céu não acabe.

Você consegue desculpas para não chegar em qualquer lugar.
Por causa do trânsito, do rodízio, da chuva, dos protestos, do frio ou porque finalmente chegou em casa e desistiu já que tudo é longe.

Você consegue puxar papo com todo mundo.
Aqui é tudo tão corrido que as pessoas se esquecem de conversar às vezes, mas já percebi o quão fácil é puxar papo e tornar a redondeza conhecida. Sou amiga de todo mundo do prédio, do salão, dos restaurantes e do 99 taxis, e olha que nem sou a mais simpática das criaturas! Sem praia, temos que colocar o papo em dia no horário comercial mesmo.

Você aprende a ficar sozinha.
Todo mundo precisa de um tempinho para digerir o que acontece por aqui. Mas fica perto do Rio, então sozinha mesmo, no máximo, semana sim, semana não. Afinal, como já dizia meu pai, São Paulo é terra de fazer maluco.


De médica não sei, mas de paulista louca, já tenho um pouco, e tô feliz. :)