sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Não se afobe, não. Que nada é pra já...

As últimas semanas foram de dois grandes marcos para mim: completei 30 anos e 5 deles em São Paulo.
Quando essas datas coincidem com sua TPM, rolam váaaaaarias reflexões. Se o cara que você pensou que ia casar com você começa a namorar outra, essas reflexões chegam na Lua! Brincadeira, no meu caso, chegaram só na Índia.

As 4 Leis da Espiritualidade ensinadas na Índia:

A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.
A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.
A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.
E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina“.

Cai nesse ensinamento em algum post de Facebook e fiquei remoendo. Hoje, quando decidi que precisava escrever, ele me veio à mente. Se acreditasse em acasos, o título desse texto poderia ser diferente. Mas encontrei um rascunho de muito tempo atrás, quando comecei a escrever um texto prometido a um grande amigo, sobre tudo que não me contaram quando vim para cá.

Sem me afobar, começo, então, da onde parei no rascunho: não esperava encontrar quem ia mudar a minha vida. E, agora que a TPM já passou, é mais fácil escrever que não foi uma pessoa só. Pelo contrário, essa meia década paulistana me rendeu muito mais presentes do que poderia imaginar. 

Me descobri mais independente e mais carente aqui, do que jamais supus ser. Ao mesmo tempo, sinto que os laços são diferentes. Sem me dar conta, me cerquei de gente querida, que já conhece minhas maluquices e parece gostar de mim desse jeito chato mesmo. A agenda aqui é mais pessoal...me pego ligando para a manicure e para a depiladora, não ligo para o salão. Os porteiros ligam no meu celular quando tem algo importante a dizer, não esperam eu chegar. O restaurante me pergunta se meu pedido "é o de sempre". Meu chefe me deseja boas férias pedindo que eu volte "mais Lu do que nunca". Me encontrei aqui, e sinto que vim para ficar.

"A pessoa que vem é a pessoa certa".

Não que cogite abandonar meu caso de amor e ódio com a ponte-áerea, são trinta anos de praia! Mas viciei pela loucura daqui. 

Falando em 30 anos, nunca pensei que fosse ter os fricotes e deprês balzaquianos, mas eles me pegaram, admito. 
É muito louco quando um ciclo fecha e você se sente meio fora de sintonia ou distante dos "planos traçados". Decidir entre ir a festas de bebês, maternidades, chás de panela e jantar de casais ou tirar forças para cair na night pode ser uma decisão complexa para uma libriana sossegada como eu. 
Mas gosto de ciclos e acredito neles, ao mesmo tempo que acredito que precisamos diariamente evoluir e que traçamos nossos próprios caminhos. Pensando assim, ao completar meus primeiros cinco anos em São Paulo, a verdade é que a menina que veio quase que com data para voltar, já não imagina como poderia ter sido diferente. 

“Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Outra coisa que gosto tanto quanto ciclos, são os ritos de passagem. Preciso de fechamentos, de inícios, de lutos e de festas. Talvez por isso goste tanto de comemorar aniversário...
Momentos de grandes mudanças me dão medo. Sempre deram! Sou apaixonada pelo equilíbrio das coisas. Assim, pontapés iniciais nunca foram meu forte. Às vezes, preciso que comecem o jogo e me sacudam. Minha mãe diz que eu era preguiçosa e só comecei a andar tarde, mas depois que levantei nunca mais caí. Eu digo que não era preguiça, era medo de errar...

“Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

Me sinto melhor agora que escrevi. Me convenci que estou alinhada aos ensinamentos indianos. 
Claramente, nada é pra já...
Fico por aqui.

“Quando algo termina, ele termina“.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dilema do Prisioneiro

Não acredito em coincidências. 

Nunca acreditei. 

Acho que antes mesmo de entender exatamente o conceito, já repelia a idéia.

Na faculdade, não por acaso, me encantei com o estudo da Teoria dos Jogos, um ramo da matemática aplicada que estuda situações estratégicas onde jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de melhorar seu retorno.

E, afinal, é em busca do que nos faz mais feliz que vamos tomando nossas decisões nessa vida, né? 

A meu ver, no entanto, a limitação da modelagem - ferramenta tão amada por nós economistas - está no dinamismo da vida que não é contemplado: as decisões são concomitantes, abruptas, sem conversa e sem negociação, já que, na maioria das vezes, um jogador não pode esperar o outro se decidir para só então seguir em frente... Por outro lado, há um ponto impecavelmente realista na teoria: não dá para voltar atrás. 

Indo um pouco mais a fundo no tema, aprendi com a genialidade de John Nash que nem todo jogo precisa ser de soma zero. Ou seja, Tim Maia que me perdoe, mas não necessariamente um nasce para sofrer enquanto o outro ri. Só é preciso tolerância e paciência para se chegar nesse equilíbrio onde as duas partes ganham ou, no mínimo, perdem menos. Valeu um Nobel pro cara, então deve mesmo existir. Sigo procurando!

Sobre as coincidências? 

Bem, em 03 de Setembro de 2013 escrevi aqui sobre minha dificuldade em "Deixar ir". Hoje, exatos 21 meses passados, me peguei quase repetindo a temática. Mas sei que não é coincidência (nem mesmo falta de assunto), foram as famigeradas escolhas que me trouxeram de volta ao início.

Mas coincidência mesmo seria se depois de tudo não acabássemos no mesmo bar, digo lugar.  

sábado, 17 de janeiro de 2015

Os Elfos

Não acredito em acasos, acredito em escolhas.

Sempre que reflito sobre pessoas que foram ou são importantes na minha vida, chego a conclusão de que esbarraria com elas independente do caminho traçado. Toda vez encontro um outro vínculo que me levaria a elas: preferências pelos mesmos lugares, primas, amigos, vizinhos que viriam a lhe apresentar, trocas de emprego, de cidade, de vida e bang! Lá está quem vai mudar a sua história ou pelo menos um pedacinho dela.

Tenho um punhado desses na vida e acho que todo mundo deve ter. Pessoas incríveis que me acompanham há muito tempo, que figuraram por um período ou que acabaram de chegar, mas a certeza é a mesma: era para elas participarem da minha jornada.

Quando penso nas Pessoas Que Conheceria De Qualquer Jeito (como chamo mentalmente esse punhado de gente especial) um padrão emerge: são necessariamente pessoas com as quais me sinto extremamente confortável. Como se houvesse uma energia que corrobora a intuição de que nos encontraríamos de qualquer jeito pela vida, como ímãs. 

Daí, se tento avaliar porque alguns se perdem no caminho, outra constante aparece: foi uma escolha. Se unilateral, pensada, exasperada, inesperada, não importa. Foi feita a escolha de romper aqueles laços invisíveis que havia.

Os elfos?

Ah, sempre foram os meus preferidos da Terra Média, e aprendi há pouco que não morrem de morte morrida, apenas de morte matada...se assemelhando muito ao amor que sinto pelo meu grupo de PQCDQJ. Se deixasse, seria para sempre. Além disso, elfos reencarnam com as lembranças antigas.  

Sim, acredito em muitas chances e em muitas vidas. Espero por elas, na verdade.

Mas isso virá em outro post...