sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Mil e uma noites de Janeiro

Todo mundo falando que Janeiro durou muito. E durou mesmo.
Da última vez que escrevi aqui, estava focada em encarar as coisas como elas são, independentemente do que se diz. Afinal, falar, até papagaio fala.

Hoje, presa sozinha no trânsito privilegiado dos teslas silenciosos do mundo, fiquei recapitulando o tanto de coisa que não foi dita, ainda que muito bem vivida, nesse mês que acabou de acabar. E, gente, foi só um mês mesmo? 

Dada a espontaneidade do desenrolar deste inicio de 2024, me peguei pensando nas experiências que já tive aqui em SFO, nos amigos e histórias e concluí, secretamente, que sou uma sonsa e bobona. 

Este Janeiro de um ano novo trouxe consigo anos muito velhos, trouxe encontros recém marcados ou há muito postergados? Vai saber... 
O compromisso com a distância garantiu a curtição das coisas que chegam meio que com data para acabar. Será? 
E, se a vida é uma só, poder celebrar também por outros, a saúde que celebrei por mim mesma há pouco, foi duplicar a gratidão de maneira imprevista. 

Falando em imprevistos, Janeiro chegou com um calendário caótico de alagamentos únicos, gentilezas inesperadas e viagens não marcadas. Numa entrega nova, que não me é peculiar, os dias foram sendo atravessados por árvores caídas, falta de luz, trilhas percorridas e muito carinho. 

Como quem quer aprender a velejar, aceitei a lição de que não dá para controlar o vento e, quando dei por mim, já estava no Pacífico, dentro de um caiaque. 

Gentileza gera gentileza? Nessa confiança que veio fácil, tirei pontos pela primeira vez e ganhei pontos pelos meus fun facts hipocondríacos. Segui sem cozinhar, errei a padaria, mas troquei meu CPF por uma pizza. Ainda devo um chá e um chopp no Bukowski

Assisti bobeiras de vampiros, the office, cruzei com vampiros no meu office...torci pelo 49ers e pelo Snape do Corinthians. Aliás, comparei Happy Potter aos heróis de Gabriel García Márquez. Assim, de cara, sem nenhum pudor. Eu não estou querendo impressionar? 

Religião, fé, beleza, assédio, ambição no trabalho, comprar um motor home, morar no cais do porto, escrever um livro, fofoca, família, amigos. Como você tá?

Ufa! Janeiro foi longo e de mão dupla. Mas caminhou cuidadoso, reservado e com vontade de agradar. Faltou tempo para visitar o Aquário...tudo bem. Mamãe sempre diz que é bom guardar alguma coisa pendente, para ter motivo para voltar. Da próxima vez vou ter que tirar o coelho da cartola para fazer tudo que faltou. 

Chegou Fevereiro. Uns voltam ao condado, outros chegam a colinas mais nobres. Me pergunto o que os camaradas do almoxarifado têm pra contar, porque essas mil e uma noites de Janeiro não deixaram nada no lugar. Que bom!