Janeiro voou deliciosamente. Fevereiro brincou com os sentimentos como deve ser, e Março veio lavando a bagunça com baldes de água fria.
Pulei um Carnaval de emoções, percorri a Santo Amaro esburacada - literal e figurativamente - com 40ºC na cabeça, talvez mais vezes do que deveria. Mas aprendi a identificar e desviar das novas poças diárias, cheias pelas águas que fecham o verão.
Quantas festas! Celebrei 102 anos muito bem vividos de vovó, Miguel e Rafa. Ri de mim, dos outros, dos primos e dos comentários anônimos.
Dormi suja na grama sem querer e escancarei a varanda de propósito, porque mudaram as estações.
Estudei tanto e trabalhei ainda mais. Como li! Amei livros que a Amazon não me deixou comprar e conheci Empresas só pela metade. Renovei vistos para poder ir a qualquer lugar mas mudei viagens com endereços conhecidos.
Lembrei como é bom ser cuidada e, então, cuidei de mim. Viciei na Hot Yoga e em acordar cedo sem querer. Tarots malucos sugeriram entrega e perdão. Atendi e engoli uns sapos para lembrar a dor e a delícia de ser quem sou.
Foi um bimestre para ficar orgulhosa e segura de gostar, de apavorar, de fazer podcasts e aceitar o silêncio. Confirma-se a teoria da Ale de que mulher carioca tem mais é que seguir em frente sem parar porque, afinal, é difícil atropelar avião.
Falando em avião. Mudaram as estações. Nada mudou. Partiu Brazil at Silicon Valley.
