terça-feira, 4 de junho de 2024

O prazer oculto das faxinas

"Adoro uma fase que diz: 'the only reason for time is so that everything doesn't happen at once.' É uma boa perspectiva, e este livro me deu várias delas. Espero que te dê também."

O ano era 2012. O livro chama-se "A Felicidade, Desesperadamente". E o trecho acima é a transcrição da dedicatória de um crush que, à época, como o livro, contribuiu com novas perspectivas. Mesmo que de maneira fugaz. 

E tudo bem, porque alguém esperto já explicou que a vida é mesmo um sopro.

De qualquer forma, é maravilhoso reviver bons ventos. Lembrei desse livro há alguns meses durante um papo cabeça à beira do Pacífico com, quem diria, um novo crush - não dá pra negar que tenho um tipo. 

Desde então, fui em busca do livro no meio da metade dos meus pertences pré-pandemia, que agora moram na fazenda... Queria reler o texto delicioso que havia recomendado, mas não esperava a surpresa boa que foi ganhar uma viagem a 2012. 

Amo esses bônus das faxinas. É como se o universo nos presenteasse por circular a energia com uma mini viagem no tempo. De volta àqueles momentos que merecem uma segunda espiada, uma segunda arrepiada, uma segunda chorada, uma segunda gargalhada. Uma segunda vivida.

Quem me conhece sabe que sou minimalista, básica e desapegada. Vira e mexe esvazio tudo para começar de novo. Mas o que fica, fica. Nas roupas, nos livros, nas memórias.

Gosto, por exemplo, de limpar o armário e lembrar que ainda não doei uma tomara-que-caia amarela de 20 anos de idade porque ela me lembra um show muito especial do Kid Abelha em Guarapari. Tem sempre as despedidas dos tênis que me acompanharam na última volta ao mundo, a briga com as calças jeans favoritas que passam a não fechar e a confirmação de que a moda volta, com todas as roupas que já roubei da mamãe. 

Chegar às gavetas é o primetime! Quando paramos de escrever bilhetinhos? De amor, de lista de mercado, de lembrete pra si mesmo? Amo reviver os afazeres, os carinhos e as broncas nos papéis amassados perdidos nas gavetas. Contas, canetas, exames...um agradecimento à saúde e ao tempo por aqui.

Tem ainda as fotos, as bebidas e os perfumes... que marcam o tempo melhor do que qualquer relógio. 

Hoje de manhã a Celeida me chamou a atenção que os armários do quarto estão todos lotados e os do escritório, todos vazios. Hora de reorganizar! Hora da faxina e suas alegrias ocultas. 

Agora à noite, abri a gaveta e dei de cara com o livro cuja dedicatória iniciou esse texto. Me inundei de alegria com o primeiro achado cheio de significados e carinho.

O ano é 2024. O livro ainda se chama "A Felicidade, Desesperadamente" e, spoiler, aborda a necessidade de se esperar um pouco menos e amar um pouco mais. Não levem mais 12 anos para lê-lo!

E sempre use seu perfume favorito. Ser cheiroso é uma das poucas coisas que está totalmente no nosso controle. Tic-tac-tic-tac