domingo, 18 de dezembro de 2011

Um lugar para chamar de casa

Um não. Quatro.
Quando, no ano passado, me mudei para São Paulo, levava na bagagem um sentimento reconfortante: "Me adapto fácil às coisas". E se provou verdade. De verdade.

No entanto, após morar durante 25 anos com as quatro pessoas que você mais ama no mundo, começar uma jornada sozinha pode ser bem desafiador. Imagina começar quatro jornadas ao longo de 365 dias?

Isso mesmo. Quatro.

Jornada #1

No dia 17 de Outubro de 2010 virei a casaca oficialmente. Deixei para trás a Cidade Maravilhosa e me tornei moradora de São Paulo. Nos primeiros três meses dividi um pequeno flat nos Jardins com uma amiga carioca que tinha chegado antes na selva cinzenta.

Senti falta de tudo. Da casa cheia, da bagunça das irmãs, da comida da mãe, da bronca do pai, do cachorrinho, de conhecer o quarteirão, de chegar rápido no trabalho.
Aprendi de tudo. A cozinhar, a enfrentar muito trânsito, a andar por São Paulo...aprendi que precisava morar perto do escritório.

Jornada #2

Paciência é uma virtude que não tenho. Felizmente, logo no início da minha busca por um novo lar, encontrei um pequeno apartamento mobiliado a 4 minutos andando do escritório (isso, quatro minutos a pé) .
O ano de 2011 estava chegando e eu não fazia idéia do que ia acontecer. A idéia de me prender durante, no mínimo, 12 meses a um cantinho só meu, foi assustadora. Mas deu certo e me deu foco.

Senti falta de tudo de novo. Somou-se à saudade já antiga, as maluquices e fofocas da ex-rommie, Carol.
Aprendi muito mais. A prender varal, montar rack e varão de cortina. A contratar faxineira e faz-tudo. A comprar eletrodoméstico e panelas, a economizar nas compras de mês e, finalmente, aprendi a ficar bem sozinha, a desfrutar da minha própria companhia.
Pela primeira vez na vida, senti saudade de um lugar chamado "casa" e não estava me referindo ao endereço dos meus pais. Ferrou, cresci.

Jornada #3

Cresci tanto que quis conhecer gente nova, país novo, trabalho novo e - por que não - casa nova! Durante o mês de setembro morei em Buenos Aires, em função de um projeto do trabalho. Hotel? No way.
Aluguei um espaçoso apartamento em Puerto Madero. Essa história de morar perto do trabalho me contaminou: 7 minutos caminhando e lá estava eu...

Senti falta da rotina. Da minha casinha pequenininha, dos porteiros conhecidos, de falar a minha língua. Àquela saudade da família somou-se a saudade dos amigos que deixei em São Paulo.
Aprendi que família a gente também pode escolher. Ganhei um fiel escudeiro, Vitor Alexandre, alguns novos amigos hermanos e tive certeza que minha família não morava mais só no Rio.

Jornada #4

Oficialmente adaptada a essa coisa de morar sozinha, plagiei Toquinho: "pra que somar se a gente pode dividir?" Por quê morar sozinha se pode ser mais divertido e mais barato com outras pessoas na casa?  Cruzei o caminho de duas cariocas que vieram a se tornar grandes amigas. Encontramos há pouco nossa nova morada. Até oficializar a mudança tive que sair do antigo apartamento e ficar hospedada na casa de uma delas. Poderia forçar e chamar essas duas semanas de uma nova jornada, mas não. Foi uma prévia da nova fase.

Ainda não sei do que sinto falta...Tampouco se já aprendi alguma coisa. Seguirei essa historinha em algum post futuro.

A certeza que fica é que a gente muda todo dia mesmo sem perceber. Eu mudei sem querer (querendo!).

Até a próxima!

3 comentários:

  1. Minha humilde contribuição para este ano: ideia agora é sem acento!

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  2. Adorei o blog, Lu! To mais ou menos na mesma, descobrindo o que é morar longe da família!
    Saudades!!!
    Bjs, Livinha (UFRJ)

    OBS: Ah, ninguém merece o Flavio! Kkkkkkkkk...

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  3. Welcome to my world babe!! Besitos. I´ve been here, Nath!

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