quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Insanus Mundi


Essa semana o post vai fazer jus ao nome "oficial" do blog: Insanus Mundi.

Talvez por estar, finalmente, com uma rotina mais adaptada, tive tempo de me atualizar sobre tudo que está acontecendo no mundo e com todo mundo. Caos. Choque. Esperança. Saudade.

Resumo, em quatro palavras, porque seriam necessários muitos palavrões para descrever os sentimentos sobre a maioria das notícias que estão girando na minha mente (e meus pais lêem o blog), então vou apenas compartilhá-las, xinguem ou vibrem à vontade.

Fukushima é uma bomba relógio com potencial de causar um desastre 14.000 vezes maior do que Hiroshima. Por mais que eu goste dos japoneses, está na hora de engolir esse orgulho, botar a boca no trombone e assumir que estão precisando de mais gênios para ajudar, né?

Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, corta verba da Defensoria Pública do Estado para 2014 em 7 milhões de reais. Ministério público e Promotoria seguem sem alterações em seus orçamentos. Tirar de quem nem sabe que tem direito é muito fácil mesmo. Vamos aprender a votar...

Derretimento da Antártida revela pirâmides. Bizarro, né? Se a região já foi habitada um dia, o derretimento das calotas polares não representaria o fim de tudo? Há esperança?

Falando em esperança, San Francisco será Gothan City no dia 15 de Novembro de 2013 e realizará o sonho de um menino de 5 anos de ser o Batman.

Estarei aqui, com muito orgulho, acreditando que a gente ainda consegue resolver tudo e que o fato do email que recebi do meu banco hoje ter sido o mais carinhoso do dia, é só mais uma bizarrice dessa semana insana.








segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Viagem

A primeira vez que falei com a tia Gueca sobre minha idéia de ter esse blog, ela disse: "Escreve sobre suas viagens!". Pois bem, segui esse conselho algumas vezes, mas ele nunca fez tanto sentido quanto hoje, então aqui vai uma história incrível...

Com certeza começou muito antes, mas a primeira "viagem" que me lembro de ter feito com o tio André foi de trenzinho do Cosme Velho até o Cristo. Viagem curta mas, no auge dos meus 5 aninhos, uma aventura e tanto! Marcou.

Se vou um pouco mais para frente, me lembro da felicidade que eram os dias em São Paulo quando íamos passear na casa da vovó. Tio André era motorista para o Playcenter, Simba Safari, drive thru de guloseimas, coçador suplente (principalmente depois que o Bê nasceu e tia Gueca me abandonou!), comedor de bis e catador dos brinquedos do baú que íamos deixando pelo corredor - "para ninguém cair".

Maiorzinha, foi em uma viagem de verão que peguei com ele a carona mais perigosa da minha vida: uma reta entre a casa de Atafona e uma pousada no sentido de Grussaí! Papai e tio André tinham descoberto a Kovak Ice durante o Carnaval e perderam a linha "com o suquinho de limão" nos churrascos que duravam a tarde toda. Só Deus sabe como percorremos aqueles 500m para voltar do baile. Acho que foi nesse ano, também, que tomei meu primeiro, e único, tombo de moto. Dessa viagem ele não participou ativamente, mas patrocinou, ou quem você acha que emprestou a moto?! :)

As viagens para Cordeiro! Não interessava se éramos 2, 5 ou 23 pessoas (vivi esse momento) hospedadas na sua casa, sempre havia espaço para mais um. Isso era o mais incrível de se viajar com o tio André. O carro aguentava quantas pessoas fossem, os colchões a gente dava um jeito e o pãozinho com manteiga, presunto e o café se multiplicavam.
Assim, passei minha adolescência literalmente virando os móveis da casa amarela de pernas para o ar para caber mais gente. Com a tia Gueca surda (rs, desculpa tia, mas é verdade), quem abria a porta na madruga era ele, sempre ele. Se o motivo de chegar depois era alguém que ele não gostava, puxava a orelha. Se fosse o álcool, ria da sua cara, mas não dedurava! Jamais!

Com a distância, nossas aventuras se tornaram mais raras mas, nem por isso, menos incríveis. Os churrascos em Cordeiro passaram a ser ainda mais longos e a piscina passou a ficar vazia mais rápido. Afinal, os mergulhos dos gordinhos Zé e André foram ficando mais potentes!

Natal passou a ser um destino querido e desejado. Fosse para matar saudades, para curar um pé na bunda em pleno Carnaval, para tirar férias quando não se tinha $$ para pagar hotel ou simplesmente para pular a folia juntos nos lugares maravilhosos que ele, como bom explorador, ia mostrando para a gente. Foi o que fizemos este ano e lá estava o tio André, no aeroporto, me esperando, como sempre! 
"E aí, Luquitaaaa, que saudades! Sua tia está louca que você veio." Com aquele sotaque paulista que agora me é tão familiar, mas que, curiosamente, me remetia a ele, com carinho, desde sempre.

Neste momento estou longe, viajando, e ele também.  Mas tenho certeza que ainda vamos fazer muita bagunça juntos, comendo as melhores lasanhas da vida.

Hoje, em homenagem a uma das pessoas mais simples e com maior coração que tive o prazer de conhecer, coube a mim ir para a cozinha, fazer uma macarronada, sentar com a mesa posta como ele gostava e bater papo. Minha culinária, diferente da dele, é medíocre, mas acalmou a já enorme saudade e deixou gostinho de quero mais.

Tio, vai em paz, a gente se vê! :)








terça-feira, 3 de setembro de 2013

Deixar ir

É difícil.

Desapegada das coisas, de dinheiro, e até mesmo daquela pressão social de estar sempre presente para se provar interessado. Preferir ser a ter e talvez, por isso, o desapego. 
Exceto com fotografias. Para os incríveis pedacinhos de vida congelados, vale a exceção à regra. Todo zelo é pouco.

Vivendo num mundão desse tamanho, é com naturalidade que cultiva amizades à distância, se os rumos forem diferentes.
Mas sem drama. Daquele jeito descompromissado de quem gosta de graça e estará disponível sempre e em qualquer lugar. Se rolar chopp às quintas, melhor ainda.

Uma vontade absurda de rodar o planeta ocupa parte da mente todo o tempo. E pensar roteiros é um dos passatempos automáticos em tardes de preguiça.

Mas nada disso combina com a deficiência nata em deixar ir. Até mesmo o que não aconteceu.
Saudade do que poderia ter sido e (ainda) não foi é um dos sintomas mais graves de quem não sabe deixar ir.

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Vem o intervalo e a OLX prega o desapego no comercial de TV.

Falar é fácil.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A maçaneta e o circo


Paguei feliz R$ 601,14 na minha passagem de ponte aérea ida-e-volta no último fim de semana. Digo feliz porque, a tendo comprado com apenas duas semanas de antecedência e sendo feriado em São Paulo no dia 09 de julho, esse valor foi um achado.

Para desfrutar da minha compra, tive que sair do escritório na sexta com 2h40 de antecedência ao horário do vôo. Apenas 7,2 km me separam do aeroporto de Congonhas, mas demoro, no mínimo, 40 min no trânsito às sextas-feiras. A outra hora fica por conta de bizarrices como encontrar o portão verdadeiro do seu vôo.

As companhias aéreas não são tão preocupadas com nosso horário como nós somos com o que compramos então, como esperado, meu vôo atrasou. Mas foi pouco. Fiquei feliz, de novo.

Cheguei no Rio e, por não ter despachado mala (as esteiras levam horas para entregar a bagagem), rapidamente estava na fila dos taxis onde a máfia impera. Apenas 5 km separam o aeroporto Santos Dumont da minha casa e, no entanto, já levei mais tempo esperando o taxi e enfrentando o trânsito do que dentro do avião. Dessa vez cheguei a tempo de jantar. Mais um motivo de felicidade.

Na volta, cheguei às 6h15 no SDU já com check-in feito para o vôo das 7h10. Sem surpresas, encontrei uma fila que dava voltas no segundo andar do aeroporto e só não descia as escadas porque são rolantes.
Milagrosamente, portas fechadas dentro do horário previsto. Sem névoa. Com teto. Tudo lindo. Chegaria a tempo do café da manhã em São Paulo. Muito feliz!

A maçaneta estragou tudo. Após duas horas sentada dentro do avião e me tendo sido servido apenas um copo d'água, o piloto nos informa que, infelizmente, não foi possível consertar a maçaneta. Troca de avião, espera para decolar, blá blá. Horário de chegada em São Paulo: 10h.
Fila de taxi? Essa é impossível. Corro para o embarque e me enfio no carro do primeiro passageiro que desce: "Itaim, moço, por dentro de Moema porque a Bandeirantes não anda, aquela obra perto do Parque não acaba e eu estou duas horas atrasada, por favor. Obrigada."

Chego no trabalho, finalmente. Vou ter que ficar até tarde para compensar. Dou uma passada, mais rápida do que gostaria, nas notícias do dia e vejo: helicópteros de Cabral, avião da FAB, Renan resolveu pagar, Copom revê taxa de juros porque inflação não baixa... Acabou a alegria.

Pago todas as minhas passagens com meu suado dinheirinho, às vezes, parcelando em mil vezes. Ainda arco com taxas de embarque em aeroportos falidos, onde a decolagem e o pouso leva à reza até o mais ateu dos ateus. Adicionalmente, pago taxis carríssimos para chegar aos aeroportos porque o sistema de transporte público inexiste. Perco 16% do meu fim de semana tentando chegar e sair e, como tenho que trabalhar todos os dias para não ser descontada e poder pagar tudo isso, preciso ter a sorte do meu chefe acreditar quando digo que embarquei às 6h30h mas só cheguei às 11h.

Enquanto isso, a babá dos filhos do Sérgio Cabral deve estar usando o helicóptero para ir de Angra ao Rio fazer compras para a madame. Ele usa o helicóptero para ir do Leblon a Laranjeiras todo dia. De carro chegava mais rápido, o palhaço. Mesmo com a gasolina custando mais de R$ 3/litro. No país da Petrobrás. Coletivo de palhaço é circo? Deve ser.

Para completar, Renan e vários palhacitos, trabalham quando querem. Mas isso é velho. Notícia nova aqui é que eu pago o avião dele. E mais, ele acha que é minha obrigação. Pensa só, pago o meu, porque não o dele? Que sai na hora, que leva quem ele quiser, onde quiser.

Autoridade? Político é servidor público. Sou filha de um muito honrado, que neste mesmo fim de semana que comento, sofreu um acidente mas, assim que chegou do hospital, ligou para a assistente para avisar que o médico tinha mandado ele ficar em observação por 12 horas e não era para deixar os pacientes esperando.

Papai precisava dar aulas.







quarta-feira, 19 de junho de 2013

Orgulho

Tinha sete anos quando ganhei minha primeira medalha de ouro. Para ser fiel à teoria da compensação que tanto prezo, lembro que me faltavam os dois dentes da frente.

Tinha onze anos quando passei no meu primeiro concurso e entrei no que considero o melhor colégio do mundo. Para ser fiel à teoria da compensação que tanto prezo, trata-se de uma instituição pública federal.

Convivi com um corpo docente de grandes mestres e com a falta de infra estrutura das escolas públicas. Se havia grandes físicos que conseguiam encantar até os alunos de intercâmbio que não falavam uma palavra de português, faltavam os laboratórios para sairmos da teoria. Se as aulas de português incitavam todos a ler as páginas de Dom Casmurro e dos Lusíadas, faltavam exemplares na biblioteca.

Mas, foi assim, ao lado de pessoas extremamente carentes e de filhos de diplomatas e empresários, que cresci e me eduquei. O mauricinho da zona sul, que vinha de motorista, chegava mais vezes atrasado do que o colega que morava no subúrbio e pegava três conduções. Sabendo disso, não era difícil entender quem dava cola para quem. Entendendo isso, também não era surpresa quando o cara que tinha motorista matava aula para ir na Cinelândia protestar pela gratuidade no transporte público. Para o amigo.

O uniforme era igual, o material era igual, as aulas eram iguais. Todos poliglotas, aprendendo grego, latim, francês, inglês, português... Mesmo no futebol todo mundo era igual. No lanche, nem sempre. Podia comer a merenda da escola ou comprar algo na cantina. Aprendi, entre amigos, que não se julga o valor de R$ 0,20 ou de um lanche de graça. E eu era só uma criança.

Acabei entendendo na marra que junto se vai mais longe. Faltava poder mudar.
Estudei para ser Economista da maior universidade federal do Brasil e entender nossos problemas. Convivi, dessa vez, com as pessoas mais brilhantes que conheci até hoje, com as mazelas do ensino público novamente e segui com a sensação de que ainda me faltava poder para mudar. Atua de maneiras interessantes a tal lei da compensação...

Hoje, trabalho na empresa que quer tornar o mundo um lugar melhor. Tem como lema "don't be evil" e, ainda assim, me faltava o poder de mudar. (!!!)

Aí, ontem, andando pela Avenida Faria Lima lotada de gente, fui tomada de uma energia e uma alegria e voltou tudo: o ônibus que tive de graça, a escola que tive de graça, a faculdade que tive de graça. E, para ser fiel à teoria da compensação que tanto prezo, lembrei que sou uma gigantesca exceção.
Mas lembrei dos meus 11 anos, quando queria que todo mundo conseguisse ir à aula, senão não tinha graça. E, então, ficou claro.

Por coincidência (ou não, vai saber) no último post havia falado sobre isso: viajar acompanhado é melhor. Mudar o Brasil é uma excursão. Só fica bom se vai "geral".

Só que como estamos aprendendo e somos iniciantes nessa coisa de levantar do berço esplêndido, alguns vão fazer merda no caminho. Fato. Mas se lembre da escola: o futebol não perdia a graça porque um retardado isolava a bola. Todo mundo escalava o muro, pegava de volta e o jogo recomeçava.

Que seja assim hoje. São muitos os motivos para nos mobilizarmos, mas largamos atrasado. Já perdemos a medalha de ouro. Temos que ir com calma, em paz, sem violência. O objetivo agora é chegar no final.

Por fim, para continuar fiel à teoria da compensação que tanto prezo, que cheguemos sem medalha no peito, mas com todos os dentes na boca e, se der, uma rosa branca na mão.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sozinha não mais

Faz muito tempo que não venho aqui. Por onde começar?

Logo que pensei na idéia de ter um blog, comentei com uma tia - fã das histórias loucas da minha vida - e a primeira coisa que ela falou foi: "Ah, fala das suas viagens!".

Pois bem, talvez tenha chegado a hora.

Desde pequena sempre gostei de estudar inglês, mais tarde o colégio me obrigava a aprender francês e, quando achei que cabia, me meti a besta no espanhol.

Talvez nem seja de todo a língua, mas as culturas diferentes, os trejeitos, os costumes, o modo mesmo de ver as coisas, é o que me fascina. E, se a comunicação funciona, fica fácil mergulhar mais fundo nesses mundinhos novos.

Por motivos diversos, até hoje, sempre estive sozinha nas minhas viagens mais incríveis. Talvez, por isso, acreditasse que nessa condição a gente está mais aberto a conhecer gente, a se virar e acaba achando graça em coisas que passariam batidas se estivéssemos num grupinho.

Pois é. Sim e não.

Acabo de voltar de um dos períodos mais intensos  - se não o mais intenso - de viagens, descobrimento de lugares, pessoas, novos costumes, enfim, toda aquela riqueza que a gente carrega no coração e só consegue mostrar por fotos.

Acompanhada.
Difícil descrever a dor e a delícia de se ter alguém no seu pé o tempo todo. Mas minha impressão é que não teria sido metade se eu estivesse sozinha. Preciso admitir.

Fui negociar com os executivos em Harvard, acabei arrastada para restaurantes de lagostas e corridas no frio, mas também levei os novos amigos cinquentões pra night. Afinal, alguém tinha que dar o exemplo!

Voltei a Las Vegas com a família paulistana, arriscamos Mustang conversível (comigo dirigindo!), Rota 66 e toda essa coisa velho oeste para chegar até o Grand Canyon.  Rentabilizei dólares de várias pessoas com minha sorte no jogo! Fui a outlets sem poder gastar e não dormi para não ter que acordar. Quem tem tantas idéias geniais sozinha?

Falando em idéias geniais, Europa em família parece um bom jeito de fechar essa aventura.
Um amigo que encontrei em Paris nesse período me perguntou como estava sendo o passeio e, ao ver minha resposta hesitada, completou: "Amor e ódio, né"? Ri, mas não deixa de ser uma perspectiva.
Já ouvi que uma ótima maneira de conhecer uma pessoa é viajar com ela, tirá-la da sua zona de conforto. Para mim isso não se aplica, fico super confortável viajando. Em Paris, por exemplo, sou a pessoa mais confortável do universo. :)
Mas, não posso negar que fazer isso com as pessoas que você melhor conhece e mais ama no mundo, é um marco na vida.

Realmente, acabei não conhecendo ninguém novo, nem me meti em nenhuma roubada máxima, não tenho "música da viagem" porque, literalmente, ninguém calava a boca um minuto. A grande novidade foi que, pela primeira vez, isso não fez a menor falta.

Sozinha? Não mais. (mas não disse jamais)