Quando escrevi o meu último post, tinha certeza de que o próximo seria sobre o meu pai e seus 70 anos, a festa que fizemos para ele e sua ansiedade adolescente dos convidados não aparecem. Mas não foi.
Depois, tentei falar sobre a segunda chance que eu e Londres nos demos e nosso atual crush em dias de sol. Ainda assim, não.
Quando chegou Outubro, pensei: "É agora, meu aniversário, meu tão desejado baile à fantasia!". De novo, não.
Interessante como o não vem em diferentes formas e o sim é escandaloso, exibido e não sabe esperar...
Adorei a passagem, marquei com uma orelhinha e deixei na mesinha de cabeceira para o próximo curioso refletir, porque o livro não é meu.
= = =
Gosto de férias de verdade. De me desconectar de tudo. Até demais. Amigas, mãe, boletos, críticas não faltam a esse desapego. Mas, é no silêncio das coisas, que paro para ouvir o chamado do que fico encafuando embaixo do tapete. E tem sido muito, sabe? A gritaria lá embaixo tá alta e andava com medo de escutar.
Talvez, por isso, a versão pueril da personagem tendo "vontade de lágrimas", me pegou. Não por tristeza, até porque lágrimas de alegria são melhores que muita risada, mas pela simplicidade e coragem em falar de um sentimento com força.
Ando muito atenta, mas meio muda. Cagona. Esquisito. Logo eu, que sempre pequei por não guardar a língua dentro da boca, como diz a Carolina minha irmã. Logo eu, que não tenho medo de perguntas difíceis e nem de respostas indigestas. Duas semanas de férias total, silêncio de trabalho, amigos, fofocas, até de notícias de política e economia (quem ganhou as eleições por ai?).
O fundo do tapete tá em festa, precisei sentar para escrever porque já não dá para ignorar. O sim é inconfundível, preciso falar. Mas não é fácil, até os que usavam as palavras como ninguém gostavam de se esconder de vez em quando.
"O coração, se pudesse pensar, pararia." - Bernardo Soares / Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego, 1982.

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